sábado , 7 março 2026

Justificado agora e para sempre

Infelizmente, muitos cristãos professos possuem uma compreensão simplista — ou mesmo profundamente equivocada — da doutrina da justificação, em parte por causa de homens que, ao longo dos séculos, a tornaram complexa e obscurecida. Isso ocorreu quando passaram a confundir a justificação com a santificação, retirando dos cristãos a certeza da salvação ao insistirem que não podemos estar seguros de nossa justificação senão após o juízo final.

Alguns leitores poderiam perguntar: essa questão não foi resolvida pela Reforma? A resposta é sim — assim como já o fora pelo apóstolo Paulo, por Jesus Cristo, por todo o Novo Testamento e por todo o Antigo Testamento, de modo particularmente claro em Gênesis 15.6: “E [Abraão] creu no SENHOR, e isso lhe foi imputado para justiça”. Ainda assim, enquanto houver tentativas humanas de alterar e confundir a doutrina da justificação, permaneceremos firmes nessa verdade pela qual a igreja permanece ou cai, lembrando continuamente o povo de Deus dessa doutrina preciosíssima, para que possamos descansar com plena segurança na promessa divina de que todo aquele que crê em Cristo não perecerá, mas terá a vida eterna.

A doutrina da justificação é, de fato, simples, embora não devamos ter dela uma compreensão simplória. Evidentemente, não somos justificados por crermos na doutrina da justificação — somos justificados somente pela fé —; contudo, se não a compreendermos corretamente, tornamo-nos incapazes de entender e viver adequadamente à luz da aliança que Deus estabeleceu conosco para a nossa salvação. Além disso, sabemos que somos justificados somente pela fé e que essa fé não permanece só, mas produz frutos: as boas obras demonstram que nossa fé é verdadeiramente genuína, embora jamais sirvam de fundamento para a nossa aceitação diante de Deus. Com efeito, nossa justificação não é meramente teórica — a santificação a evidencia.

Segundo Paulo, em Romanos 1–3, se alguém pretende ser justificado pela Lei, não o será simplesmente por ouvi-la; somente aquele que a cumpre integralmente será, ao final, declarado justo por Deus (cf. Rm 2.12–16). Ocorre, porém, que sabemos que nenhum de nós é justo e que nenhum ser humano é capaz de cumprir toda a Lei. Mas graças sejam dadas a Deus, porque fomos salvos somente pela graça, mediante a fé somente, por causa de Cristo somente. E não haja engano quanto a isso: somos, de fato, salvos por obras — não pelas nossas, mas pelas obras perfeitas de Cristo, que cumpriu plenamente toda a Lei em nosso lugar. É por isso que podemos cantar que a graça maravilhosa que nos salvou também nos conduzirá ao lar, tudo isso pelo poder regenerador, sustentador e santificador do Espírito Santo.

Sobre Burk Parsons

O Dr. Burk Parsons é pastor sênior da Saint Andrew’s Chapel, em Sanford, Flórida; diretor editorial-chefe da Ligonier Ministries; editor executivo da revista Tabletalk; e membro do corpo docente da Ligonier Ministries. É professor em destaque na série de ensino da Ligonier A Grande Comissão, autor de Por que temos credos?, editor de Assured by God, e co-tradutor e coeditor de Um Pequeno Livro sobre a Vida Cristã, de João Calvino.

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