Não foi senão muito tempo depois que percebi que essas deturpações me impediram de crescer teologicamente. Eu havia abraçado as conclusões de homens em cuja seriedade de estudo confiava plenamente, supondo que tivessem examinado a questão a fundo; contudo, só mais tarde percebi que eles não haviam lido o suficiente para justificar o uso pejorativo que faziam do termo “Escolasticismo”. Compreendi o quão gravemente enganado eu estivera quando fui instigado a estudar o Escolasticismo por conta própria e retirei da biblioteca o livro Protestant Scholasticism: Essays in Reassessment, editado por Carl R. Trueman e R. Scott Clark.1
Foi através desta aventura de redescobrir o escolasticismo por mim mesmo que percebi o valor real do método escolástico. Antes, era fácil para mim aceitar as deturpações sobre o escolasticismo: bastava selecionar declarações aleatórias (ou até mesmo heréticas) de autores escolásticos, juntá-las todas e, dessa forma, condenar os escolásticos por inteiro. A experiência de estudar o Escolasticismo por conta própria mostrou-me o quão fútil era esse tipo de abordagem.
Enquanto muitos se contentavam em acumular apenas materiais superficiais sobre o escolasticismo, senti que havia encontrado ouro puro. Descobri o impressionante potencial de precisão que o método escolástico oferece. Ele é capaz de me ajudar a comunicar as verdades centrais da fé cristã de maneira mais robusta e tecnicamente estruturada, permitindo refutar uma série de erros. Com isso em mente, quero explicar brevemente o que o escolasticismo é (e o que não é), analisar como este método foi adotado pelo firme ministro protestante Girolamo Zanchi, e, por fim, refletir sobre como o método escolástico pode nos ser útil hoje.
O que é o escolasticismo?
Escolasticismo é um termo usado para descrever um método que estruturava um sistema de pensamento, um método que teve um impacto significativo tanto na teologia quanto na filosofia. O chefe de uma escola cristã no século VI era comumente chamado de scholasticus (que significa “erudito”). Assim, o termo desenvolveu-se a partir desse contexto educacional.2 Não importa onde se procure para definir o Escolasticismo, encontra-se um tema comum: “o termo ‘escolasticismo’, portanto, não deve ser muito associado ao conteúdo, mas ao método, uma forma acadêmica de argumentação e disputa”.3 Ryan McGraw resume de maneira útil os benefícios do método escolástico ao afirmar que ele “promove precisão e clareza no ensino”, “permite que ministros e professores de seminário traduzam a teologia acadêmica em teologia pastoral” e “promove metodologia histórica”, o que, por sua vez, proporciona ao estudante criterioso uma recuperação do “método teológico reformado e não apenas do conteúdo teológico reformado”.4 De forma ainda mais direta, ele resumiu: “o escolasticismo referia-se decisivamente a um modelo educacional. Como tal, o escolasticismo era uma ferramenta, ou melhor, um conjunto de ferramentas, que era imediatamente mais relevante para o propósito de formar pastores reformados”.5 Se o escolasticismo não é conteúdo, mas método, qual é esse método e como o adquirimos? Além disso, por que ele é útil para o estudante prudente das Escrituras?
O escolasticismo é um método de aprendizagem que foi formalizado na Europa medieval entre os séculos XII e XVI. Ele combina lógica, metafísica e semântica (ou retórica) para formar uma disciplina única, sendo amplamente considerado como tendo contribuído significativamente para o desenvolvimento cuidadoso e preciso do pensamento cristão. Essencialmente, é uma ferramenta e um método de aprendizagem que enfatiza o raciocínio dialético. Isso envolve a troca de argumentos (ou teses) e contra-argumentos (ou antíteses) para chegar a uma conclusão ou síntese (formalmente conhecida como raciocínio dialético). Na Europa medieval, a dialética era uma das três artes liberais originais, juntamente com a retórica e a gramática, coletivamente conhecidas como o “trivium”.6
Durante o período do escolasticismo, existiam dois métodos principais de ensino. O primeiro, conhecido como lectio, consistia em o professor simplesmente ler um texto e explicar certos conceitos ou palavras. No entanto, não eram permitidas perguntas. O segundo método, a disputatio, era uma abordagem mais interativa, na qual uma questão era anunciada antecipadamente ou proposta pelos alunos.7 O professor então fornecia uma resposta, citando textos autoritativos, como a Bíblia, para fundamentar sua posição. Os alunos, por sua vez, ofereciam contra-argumentos, e o debate continuava alternadamente, com alguém tomando notas para resumir a discussão. Essas sessões passaram a ser conhecidas como disputationes. O objetivo de uma disputatio era resolver uma questão ou contradição relacionada à teologia ou à filosofia, sendo um aspecto central do treinamento escolástico formal na igreja durante o período medieval. As disputationes ofereciam vários benefícios no treinamento escolástico. Primeiramente, permitiam aos alunos praticar a arte da argumentação e aprimorar suas habilidades em raciocínio lógico. Em segundo lugar, proporcionavam um fórum para a apresentação e crítica de ideias, ajudando, assim, a avançar o conhecimento em um determinado campo de estudo. Em terceiro lugar, possibilitavam aos alunos engajar-se com textos autoritativos, como a Bíblia, e desenvolver a habilidade de fundamentar argumentos com evidências. Por fim, as disputationes eram usadas como um meio de testar o conhecimento e a compreensão dos alunos sobre um assunto específico, muitas vezes em preparação para seus exames formais.8
No século XIII, o Escolasticismo fez dois avanços muito significativos. Primeiro, o uso da razão na discussão da verdade espiritual e a aplicação da dialética à teologia foram aceitos sem protestos, desde que permanecessem dentro dos limites da moderação. Segundo, houve uma disposição por parte dos escolásticos de ultrapassar os limites da rígida tradição eclesiástica para aprender com Aristóteles e muitos outros.
O escolasticismo tardio, que teve início no século XIV, tornou-se cada vez mais intricado e sofisticado em sua diferenciação e raciocínio. Ele deu origem a ramos específicos de pensamento, como o tomismo e o scotismo, que seguem, respectivamente, as filosofias de Tomás de Aquino e João Duns Escoto.9 Ambos os métodos diferem em sua ênfase na razão e na intuição, bem como em sua abordagem à teologia. No entanto, durante os séculos XV e XVI, o escolasticismo foi substituído pelo Humanismo e passou a ser considerado um método rígido, formal e antiquado de filosofia.
Com base nesse contexto histórico, como identificar algo que utilize o método escolástico? Richard Muller fornece de forma útil algumas características significativas para reconhecer algo como escolástico. As características que unificam o método escolástico são: 1) identificar um argumento ordenado adequado para discurso técnico e acadêmico; 2) apresentar uma tese ou questão; 3) organizá-la de maneira a facilitar a discussão ou o debate; 4) reconhecer possíveis objeções à resposta proposta; 5) fornecer uma formulação da tese com respeito às fontes conhecidas; e 6) apresentar uma resposta a todas as objeções.10
Os Reformadores rejeitaram o escolasticismo?
A teologia do escolasticismo reformado tem frequentemente sido negligenciada em favor da teologia dos grandes reformadores, apesar da ajuda que os primeiros prestaram aos segundos. Embora aqueles que iniciaram a Reforma Protestante sejam frequentemente celebrados, os teólogos dos séculos XVI tardio e XVII, que codificaram e perpetuaram o movimento, raramente recebem o mesmo nível de atenção. Ainda assim, aqueles que deram continuidade ao movimento merecem reconhecimento por suas contribuições. Eles defenderam, sistematizaram e formalizaram, ao longo de um século e meio, aquilo que a Reforma começou em menos de meio século. A Reforma estaria incompleta sem a codificação confessional e doutrinária que a ortodoxia reformada proporcionou. De fato, sem um corpo doutrinário normativo e defensável, concretizado nas confissões para estabelecer as balizas da ortodoxia, o Protestantismo não teria sido capaz de resistir ao ataque de erros apresentados por grupos como os católicos, espiritualistas, anabatistas dissidentes, socinianos, arminianos e outros. Portanto, negligenciar as contribuições desses indivíduos é injustificável.
Talvez essa negligência decorra de um mal-entendido das partes críticas das Institutas de Calvino referentes aos “escolásticos”, ou das críticas de Lutero, nas quais ele direciona seu ataque a uma formulação específica do escolasticismo no scotismo. Curiosamente, Lutero nunca menciona Lombardo ou Aquino nessas críticas.11 Isso não significa que os Reformadores preeminentes concordassem com aqueles que não criticaram, mas deve servir como um alerta contra a falácia genética: eles não rejeitaram o método escolástico por completo apenas porque rejeitaram certas conclusões doutrinárias de alguns escolásticos. De fato, seus alunos e “netos teológicos” viriam a utilizar o método para articular com maior precisão as doutrinas da Reforma.
Os teólogos do Escolasticismo Reformado desempenharam um papel crucial na história do Protestantismo ao criar uma teologia institucional (atingindo seu auge nos puritanos) que era ao mesmo tempo confessionamente alinhada com a Reforma e doutrinariamente contínua com a tradição mais ampla da Igreja. Enquanto os Reformadores haviam desenvolvido uma série de questões doutrinárias com base em sua exegese das Escrituras, os teólogos ortodoxos mantiveram firmemente essas percepções e as normas confessionais do Protestantismo, ao mesmo tempo em que trabalhavam para o estabelecimento de um corpo de “ensino correto” que estivesse em continuidade com o pensamento cristão sólido. Para que o Protestantismo fosse representativo da Igreja, o testemunho da Reforma precisava reformar não apenas os abusos eclesiásticos (como as indulgências), mas também os erros relacionados à doutrina (como a negação romana do Sola Fide). Nesse sentido, as gerações posteriores de escolásticos reformados tiveram de transcender a seletividade da polêmica da Reforma a fim de apresentar um corpo doutrinário completo.
Ao se examinar mais de perto, a ortodoxia reformada, e o Escolasticismo Reformado em particular, pode ser reconhecida como uma forma distinta de teologia protestante que apresenta tanto semelhanças quanto diferenças em relação à teologia da Reforma. Embora esteja enraizada nas convicções teológicas dos Reformadores, desenvolveu-se de maneira sistemática e escolástica, divergindo frequentemente dos métodos da Reforma, muitas vezes recorrendo a formas e métodos dos séculos XIII, XIV e XV.
A influência do escolasticismo reformado ainda é evidente no Protestantismo contemporâneo, sendo necessária para a compreensão dessa teologia e de sua relação com épocas anteriores, particularmente no que diz respeito à Idade Média e à Reforma. Embora algumas mudanças significativas tenham ocorrido, a teologia ortodoxa ou escolástica reformada ainda se faz presente nas obras de Charles Hodge, Archibald Alexander Hodge e Louis Berkhof, com poucas alterações em termos de seu dogma formal e substancial. A Teologia Sistemática de Charles Hodge, por exemplo, é devedora das Institutas da Teologia Elêntica de François Turretini — embora busque apresentar os insights sistemáticos da ortodoxia sob uma moldura do século XIX, especialmente em seus prolegômenos.12
Quem foi Zanchi?
Girolamo Zanchi (1516–1590) foi um teólogo e pastor protestante italiano que desempenhou um papel importante no desenvolvimento da teologia reformada. Zanchi nasceu em Alzano Lombardo, na Itália, e foi educado na Universidade de Pádua. Ele iniciou sua carreira como padre católico romano na ordem agostiniana, mas converteu-se ao Protestantismo na década de 1540 e tornou-se seguidor de João Calvino.13
Zanchi era conhecido por sua firme defesa da teologia reformada, particularmente nas áreas de predestinação e sacramentos. Foi o primeiro protestante a debater os estudiosos pós-Melanchthon que haviam abandonado a dupla predestinação em favor da predestinação simples.14 Serviu como professor de teologia em Estrasburgo e Heidelberg, além de ser pastor e escritor prolífico. Entre suas principais obras estão De religione Christiana fides (“Confissão de Fé da Religião Cristã”), De natura Dei (“Sobre a Natureza de Deus”) e De redemptione (“Sobre a Redenção”). Escreveu também comentários sobre diversos livros da Bíblia, incluindo Romanos, Hebreus e o Livro do Apocalipse.
A teologia de Zanchi teve um impacto significativo no desenvolvimento da teologia reformada no século XVI, particularmente na Itália e em outras partes da Europa onde o movimento reformado ainda estava se consolidando. Sua ênfase na predestinação e na soberania de Deus ajudou a moldar o caráter distintivo da teologia reformada, que continua a exercer influência em muitas partes do mundo hoje.
O que podemos aprender com Zanchi?
Foi dito a respeito de Zanchi: “embora não fosse original nem criativo, era um dos mais eruditos entre os teólogos do século XVI”.15 Por que Zanchi foi tão influente, apesar de permanecer discreto e pouco original? Eu sugeriria que isso se deve ao fato de que seu método produziu um corpo de literatura robusto e contemplativo, que ajudou as pessoas a articular com precisão as doutrinas da Reforma que amavam — e era um método nascido do escolasticismo.
Como um estudo de caso para demonstrar que se pode permanecer completamente protestante enquanto se utiliza a poderosa ferramenta do Escolasticismo, proponho a Confissão da Religião Cristã de Zanchi. Se quiséssemos testar suas convicções protestantes para verificar se o método escolástico causava algum tipo de comprometimento, poderíamos considerar o fruto de seu trabalho na seção sobre justificação (capítulo 19). Ele começa com a tese: “I. Aqueles que têm verdadeiro arrependimento, têm também fé viva, estão enxertados em Cristo e justificados nele”.16 Esta tese era relativamente padrão em relação ao que se encontraria em Calvino e outros, pois define a justificação apelando ao fruto da justificação (“uma fé viva”), a fim de responder à alegação de Roma de que o sola fide produz lascívia. Sua segunda tese desenvolve ainda mais esse mesmo princípio, na qual ele diz:
“Crê-se também que nós, que, por meio de Cristo, no qual somos enxertados pelo Espírito Santo, somos considerados justos e verdadeiramente justos, tendo obtido o perdão de nossos pecados em Cristo e a imputação de Sua justiça, possuímos, ao mesmo tempo, o dom da justiça inerente, de modo que não somos apenas perfeitamente e plenamente justos em Cristo, nosso Cabeça, mas também possuímos em nós mesmos a verdadeira justiça, pela qual somos de fato conformes a Cristo”.17
O método aqui permite que ele desenvolva uma resposta com qualificações incorporadas, levando em consideração as objeções de seus opositores papistas. Ele esclarece ainda que essa vindicação da penalidade e a imputação da justiça não tornam o homem perfeito a ponto de não mais pecar, mas, antes, lhe conferem a nova natureza pela qual seguem seu Senhor. Embora Zanchi apresente doze teses no total sob o cabeçalho principal do capítulo 19, algumas observações notáveis podem ser feitas.
O método de Zanchi permitia-lhe considerar objeções, erros potenciais ou equívocos de maneira paciente e reflexiva, e articular com maior precisão o que a doutrina reformada da justificação realmente é. Entre suas observações, há algumas de extrema importância a serem destacadas.
Primeiramente, por meio do processo escolástico, ele explica como não somos justificados pela virtude da fé (similar ao erro moderno de Norman Shepherd). No artigo seis, ele explica o que significa ser justificado pela fé. Por meio da negação, ele sustenta que a fé não é a virtude de nossa justificação:
Portanto, quando dizemos que um homem é justificado pela fé ou por meio da fé, não queremos dizer que a virtude da fé seja aquilo mesmo pelo qual, como pela forma (como eles dizem) e pela verdadeira justiça, ele é justificado; ou aquilo pelo qual merecemos o perdão de nossos pecados e a justificação…18
Em seguida, ele reconhece que a justificação não é uma ficção legal (similar à Nova Perspectiva sobre Paulo). No artigo nove, ele considera a seguinte objeção:
IX. A justificação pela fé somente não é algo imaginário ou fingido. Agora, para que ninguém pense que forjamos uma certa justiça imaginária, que não tem fundamento nem eficácia em nós, repetiremos novamente aquilo que já professamos anteriormente.19
Por fim, ele reafirma a realidade de uma verdadeira justificação assegurada por Cristo, concedida a nós por imputação. Ele confronta a objeção das obras (contrária ao romanismo) no artigo seis e novamente no onze, escrevendo: “Mas se nos perguntarem acerca do primeiro tipo de justificação, respondemos que o homem nunca é justificado por suas obras, mas sempre propriamente pela fé somente”.20 Ele trata da objeção de que a fé não é morta, mas cheia de frutos (contra o antinomianismo, nos artigos seis e dez), e que não é atributo de Cristo (contra o erro da deificação de Osiander), nem imputação única (como em Piscator). Isso é maravilhosamente expresso em seu resumo dos erros relacionados à justificação, no qual ele inicia com uma repulsa ao pelagianismo e aos erros subsequentes.
Condenamos todos os pelagianos que ensinavam que os infantes eram concebidos sem pecado e, portanto, não precisavam do perdão dos pecados nem do benefício de Cristo para sua salvação… Sim, e sua opinião é rejeitada por nós, que ensinam que o homem é justificado não pela remissão dos pecados e imputação da justiça de Cristo, mas mesmo pela própria justiça essencial (como a chamam) de Cristo, realmente comunicada a nós.21
Também é importante notar que cada verdade é respaldada por citações diretas e indiretas das Escrituras, além de referências marginais ao longo do texto. Trata-se de um documento profundamente reflexivo e bíblico. É assustador imaginar como a Igreja poderia ter caído em alguns dos erros modernos (ou antigos) sobre a justificação, caso seus praticantes, como Zanchi, não estivessem familiarizados com a metodologia escolástica. Felizmente, esses homens haviam sido treinados para pensar de forma mais abrangente e meticulosa sobre as conclusões que estavam extraindo das Escrituras.
Isso é escolasticismo!
O escolasticismo não representa um consenso monolítico, seja em relação à metafísica, à soteriologia ou a qualquer outro campo do pensamento. Assim, quando críticos retrucam: “Isso é escolasticismo!” como um pejorativo genérico para silenciar um argumento, eles apenas mostram que não têm resposta para o conteúdo do argumento. Não devemos permitir que esse pensamento superficial prevaleça. A ideia depreciativa de que essas ideias são meramente grades impostas às Escrituras deve ser afastada da sociedade dos crentes preocupados com precisão e conclusões bem fundamentadas. O escolasticismo não é, e nunca foi, uma grade imposta às Escrituras; o método escolástico é uma maneira contemplativa e detalhada de refletir sobre a Escritura.
Em vez disso, o escolasticismo produz paciência e humildade — em oposição a afirmações precipitadas de conhecimento. Lamentavelmente, anos de pensamento intelectualmente endogâmico levaram ao crescimento atrofiado, e aqueles hoje que não leem nem refletem fora de sua própria geração estão condenados a perpetuar o ciclo. De fato, a hostilidade ao Escolasticismo é evidência do moderno afastamento da racionalidade, do pensamento cauteloso e das conclusões cuidadosamente ponderadas. Não devemos tolerar homens sérios que falham em pensar criticamente sobre as conclusões doutrinárias que descobrem na Bíblia. Se a integridade da Igreja deve ser preservada — se mesmo uma casca oca de razão deve permanecer — então a rejeição contemporânea do pensamento escolástico precisa ser arrancada pela raiz e lançada ao vento. Devemos tornar a ignorância do passado algo do passado. Dê-me um homem como Zanchi ou Turretini, manejando o método escolástico como um cirurgião habilidoso, em lugar de cem teólogos aderindo a uma erudição moderna e endogâmica.
Devolvam os Escolásticos!
Referências:
- Carl R. Trueman e R. Scott Clark (eds.), Protestant Scholasticism: Essays in Reassessment (Wipf & Stock Publishers, 2007). ↩︎
- William Turner, “Scholasticism,” The Catholic Encyclopedia (Nova Iorque: Robert Appleton Company, 1912), 13:548. ↩︎
- Willem J. van Asselt e Pieter L. Rouwendal, “Introduction: What is Reformed Scholasticism?” em Introduction to Reformed Scholasticism (Grand Rapids: Reformation Heritage, 2011), p. 1. ↩︎
- Ryan M. McGraw, Reformed Scholasticism: Recovering the Tools of Reformed Theology (Londres: T&T Clark, 2019), p. 4, 5, 13. ↩︎
- McGraw, Reformed Scholasticism, p. 137. ↩︎
- William Turner, “Schools,” The Catholic Encyclopedia (New York: Robert Appleton Company, 1912), 13:555. ↩︎
- As 95 Teses de Martinho Lutero foram uma tentativa de iniciar uma disputatio formal. ↩︎
- Para uma discussão detalhada sobre o processo de disputatio, veja: Alex J. Novikoff, The Medieval Culture of Disputation: Pedagogy, Practice, and Performance (University of Pennsylvania Press, 2013). ↩︎
- Muitos reconhecem o início do método no cristianismo como tendo suas origens em Agostinho. A formalização das várias escolas que empregaram o método pode ser estudada mais detalhadamente: Desmond Paul Henry, “Medieval Philosophy,” The Encyclopedia of Philosophy, ed. Paul Edwards (Nova Iorque: Macmillian Publishing, 1967), p. 252–557. ↩︎
- Richard Muller, After Calvin: Studies in the Development of a Theological Tradition (Oxford: Oxford University Press, 2003), p. 26. ↩︎
- Gerald Bray, Doing Theology with the Reformers (Downers Grove, IL: IVP Academic), p. 37. ↩︎
- Richard A. Muller, Post-Reformation Reformed Dogmatics: The Rise and Development of Reformed Orthodoxy; Volume 1: Prolegomena to Theology, 2nd ed. (Grand Rapids, MI: Baker Academic, 2003), 1:27–29. ↩︎
- Johannes Ficker, “Zanchi, Girolamo,” in The New Schaff-Herzog Encyclopedia of Religious Knowledge, ed Samuel Macauley Jackson (Grand Rapids: Baker Books, 1969), 12:496–97. ↩︎
- Girolamo Zanchi, The Doctrine of Absolute Predestination Stated and Asserted, trans. Augustus Toplady (New York: George Lindsay, 1811). ↩︎
- Ficker, “Zanchi,” 12:497. ↩︎
- Girolamo Zanchi, De religione christiana fides – Confession of Christian Religion, ed. Luca Baschera e Christian Moser (Leiden: Brill, 2007), 1:335. Todo o inglês modernizado pelo autor. ↩︎
- Zanchi, Confession of Christian Religion, , 1:335–7. ↩︎
- Zanchi, Confession of Christian Religion, 339. ↩︎
- Zanchi, Confession of Christian Religion, 347. ↩︎
- Zanchi, Confession of Christian Religion, 347. ↩︎
- Zanchi, Confession of Christian Religion, 349–51. ↩︎
Centro Cultural João Calvino
When I lived in England, I read the book Protestant Scholasticism by Carl R. Trueman e R. Scott Clark and I appreciated it very much. It’s a scholarly work