Aqui, com fé, me aproprio desta aliança graciosa e bem ordenada. Senhor, sela-a para mim à tua mesa. Que darei ao Senhor por ter instituído esta ordenança, por ter deixado à sua Igreja este precioso legado e sinal de amor, por tê-la preservado até os nossos dias e mantido viva nesta terra e, em especial, por ter-me poupado e permitido que eu me achegasse a ela? Glória a Deus por eu poder ver o selo desta aliança, por contemplar este arco de boas-vindas, surgindo entre as nuvens da ira como sinal visível de que Deus confirma sua aliança com os crentes e os guarda de um dilúvio destruidor.
Bendito seja Deus, pois não estou entre os judeus incrédulos, nem entre os pagãos desta terra, nem entre os demônios ou as almas condenadas no inferno. Dou graças ao Senhor do céu e da terra porque aquilo que esteve oculto aos sábios e entendidos foi revelado aos pequeninos e meus olhos veem, e meus ouvidos ouvem aquilo que muitos profetas e reis desejaram ver e ouvir, mas não lhes foi concedido. Agora, porém, a vida e a imortalidade foram trazidas à luz pelo evangelho.
Oh, o que não dariam os anjos caídos e as almas condenadas por um dia como este e por uma esperança como a que eu tenho? Eis que sobre eles chovem fogo e enxofre do céu, enquanto sobre mim Deus faz chover maná. Que este dia solene que contemplo seja, de fato, um dia do Filho do Homem, um dia do seu poder, um dia em seus átrios, melhor e mais doce para mim do que mil outros!
Ah, que a santa mesa à qual me aproximo esteja ricamente preparada pelo grande Mestre do banquete! Que ele mesmo a honre com sua presença e abençoe abundantemente o alimento ali oferecido, para que, por meio dele, a alma faminta seja nutrida, o mendigo necessitado seja satisfeito, o coração endurecido seja quebrantado, os afetos frios sejam aquecidos, a alma obscurecida receba luz, o coração apertado se alargue, os olhos embaçados se iluminem, a mente dispersa se concentre, e a alma duvidosa encontre firmeza! Que seja um banquete de manjares gordos, cheios de tutano, uma refeição singularmente abençoada do céu para mim, que se torne vida para minha alma, morte para meus pecados, força para as graças que há em mim, e veneno para minhas concupiscências! Senhor, faze meu coração começar a arder ao ver os elementos. Solta minhas cadeias ao tocá-los. Ilumina meus olhos ao prová-los. E fortalece toda a minha alma ao deles participar.
Ah, que ao receber o pão e o vinho eu seja capacitado a receber Jesus Cristo em meu coração e que, por meio disso, eu obtenha uma posse verdadeira e real de tudo o que Cristo adquiriu, com um título legítimo e inquestionável à herança eterna, selado e confirmado para mim!
Senhor, dá-te a conhecer a mim no partir do pão. Manifesta-te a mim como não te manifestas ao mundo. Leva-me à casa do banquete, e que a tua bandeira sobre mim seja o amor! Senhor, vem à ceia, pois será um banquete morto e sem alma se tu estiveres ausente. Senta-te à cabeceira da mesa, reparte a porção de cada um, e dá-me, se for da tua vontade, uma porção como a de Benjamim, para que minha alma se sacie com tutano e gordura, e meus lábios te louvem com alegria. E quando o Rei estiver à mesa, que o meu nardo exale o seu perfume. “Desperta, ó vento norte! Vem, ó vento sul! Sopra no meu jardim, para que se derramem os seus aromas. Venha o meu amado para o seu jardim, e coma dos seus frutos deliciosos” (Cânticos 4.16). Ó, que o meu amado venha e se alimente entre os lírios, até que rompa o dia e fujam as sombras!
Fonte: Sacramental Meditations (1747)
Centro Cultural João Calvino
Muito boa meditação, todos os dias devemos se preparar para receber a graça de Deus em nós,nos purificando dos nossos desejos contrário aos de Cristo e assim participar de todos os privilégios que Ele nos oferece como povo seu.