sábado , 7 março 2026

Seis razões para não adiar o arrependimento

O tempo do arrependimento é o presente, sem demora alguma, conforme o Espírito Santo afirma: “Hoje, se ouvirdes a sua voz” (Hebreus 3.7), e “Exortai-vos uns aos outros diariamente, enquanto se diz: Hoje; para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado” (Hebreus 3.13). As razões para isso são as seguintes:

Em primeiro lugar, a vida é incerta, pois ninguém sabe a que hora, momento ou de que maneira sairá deste mundo. “Estejam também preparados, porque à hora em que não pensam, virá o Filho do homem” (Lucas 12.40). Essa certeza deveria levar o homem a apressar seu arrependimento, ainda mais considerando que muitos morreram tendo a intenção de se arrepender no futuro, mas foram surpreendidos pela morte e jamais tiveram oportunidade de se arrepender.

Em segundo lugar, quanto mais tempo o homem permanece em um pecado, maior é o perigo, pois pela prática o pecado ganha firmeza e força no coração. O costume tem tal poder que aquilo que o homem costuma fazer durante a vida é o mesmo que fará e falará ao morrer. Certa pessoa tinha uma dívida de três libras, com pagamento dividido em três anos; quando estava morrendo, só se ouviu dela: “três anos, três libras”. Além disso, ao adiar o arrependimento, o homem acumula ira para o dia da ira (Romanos 2.5). Se a um malfeitor fosse imposto o castigo de carregar todos os dias um graveto até uma pilha que o queimaria vinte anos depois, certamente esse seria um castigo e sofrimento enormes. Assim é o caso de todo pecador que, negligenciando o arrependimento dia após dia, emprega-se em acumular os carvões da ira de Deus para queimar sua alma no inferno no dia da morte.

Em terceiro lugar, quanto mais o tempo se prolonga, mais difícil é arrepender-se. Quanto mais tempo um homem permanece doente sem receber remédio, mais difícil será a recuperação. E onde o diabo permanece por muito tempo, dificilmente será expulso. A melhor forma de matar uma serpente é esmagar sua cabeça quando ela ainda é jovem.

Em quarto lugar, é alimento e bebida para o diabo ver os homens viverem em seus pecados, adiando o arrependimento. Pelo contrário, há grande alegria entre os anjos de Deus no céu quando um pecador se arrepende.

Em quinto lugar, o arrependimento tardio é raramente (ou nunca) um arrependimento verdadeiro. Pois se alguém se arrepende quando já não pode mais pecar como antes (como na hora da morte), então não é ele que deixa o pecado, mas o pecado que o deixa. Por isso, o arrependimento que as pessoas preparam para si mesmas na hora da morte deve ser temido, pois pode morrer junto com elas. E é justo que seja condenado por Deus na sua morte aquele que condenou a Deus durante a vida. Crisóstomo diz que o malvado sofre esta punição: ao morrer, esquece-se de si mesmo, quando em vida se esqueceu de Deus.

E por fim, em sexto lugar, estamos com Abel ao oferecer a Deus o melhor de nossos bens em sacrifício. Porém, aqueles que deixam o arrependimento para o fim fazem o contrário. Os arrependidos tardios oferecem a flor da sua juventude ao diabo e trazem a Deus o sacrifício manco e quebrado da velhice.

Fonte: The Nature and Practice of Repentance, Works IX, p. 160-161

Sobre William Perkins

William Perkins (1558–1602) foi um teólogo puritano inglês formado em Cambridge, figura decisiva para a consolidação da teologia reformada na Inglaterra. Em obras como A Golden Chain, expôs com clareza a doutrina da eleição e a soberania divina, unindo rigor bíblico e piedade prática. Sua influência moldou pastores e a ortodoxia puritana, destacando-se pela ênfase na autoridade das Escrituras e na santidade pessoal.

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Um comentário

  1. Muito bom! Parabéns pelo site.

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