quinta-feira , 16 julho 2026

O Desenvolvimento da Soteriologia Sacerdotal Católica Romana

A controvérsia pelagiana foi oficialmente resolvida em favor de Agostinho por diversos concílios realizados nos séculos V e VI. Ficou estabelecido que o pecado de Adão afetou toda a sua posteridade e que a salvação é unicamente pela graça de Deus. Tanto o pelagianismo quanto o semipelagianismo foram condenados. Infelizmente, havia correntes de pensamento na Igreja que, com o tempo, acabariam por conduzi-la novamente em uma direção semipelagiana, apesar de suas declarações oficiais.

O neoplatonismo, por exemplo, concebia a salvação humana em termos da ascensão da alma a Deus mediante diversas práticas ascéticas. Tais ideias acabaram sendo incorporadas às comunidades monásticas cristãs, cuja influência teológica sobre o desenvolvimento da doutrina foi profunda. Essas concepções também podem ser encontradas nos escritos de teólogos de enorme influência, como Agostinho e Pseudo-Dionísio.

Na época da Reforma, muitas das conquistas obtidas na luta contra o pelagianismo haviam sido perdidas. Um sistema eclesiástico-sacerdotal de salvação, que dependia mais do mérito individual do que da graça de Deus, tornara-se predominante. Compreender a soteriologia católico-romana é importante. A doutrina reformada da salvação não pode ser plenamente entendida sem que se compreenda o sistema teológico do qual ela surgiu e ao qual procurava responder.

Para compreender a doutrina católico-romana da salvação, é necessário retroceder até Adão. Segundo a teologia católico-romana, Adão foi criado bom e capaz de alcançar seus fins naturais, mas não possuía, por natureza, a capacidade de atingir seu fim escatológico último — a saber, a visão beatífica de Deus. Para alcançar esse objetivo, Adão precisava ser elevado da ordem natural do ser à ordem sobrenatural do ser. Era necessário que lhe fosse concedida a capacidade de usar a razão para dominar os desejos pecaminosos. Isso foi realizado por Deus mediante a concessão a Adão do dom da graça santificante, que está acima e além de sua natureza humana. Trata-se, portanto, de um dom superadicionado (donum superadditum). Esse dom elevava a natureza humana de Adão e o unia a Deus, tornando-o capaz de merecer seu fim escatológico último.

Quando Adão pecou, caiu do estado sobrenatural do ser. A queda implicou a perda do dom superadicionado da graça, mas não destruiu sua natureza. Durante a Idade Média, houve divergências de opinião quanto à extensão dos danos causados à natureza humana de Adão, especialmente às faculdades da razão e da vontade. Alguns sustentavam que sua natureza humana não havia sofrido dano algum e que Adão simplesmente retornara ao estado em que fora criado antes de receber o dom da graça. Outros argumentavam que sua natureza havia sido ferida. De qualquer modo, toda a posteridade de Adão nasce nesse estado decaído.

Na teologia, a maneira como se compreende o problema determina a natureza da solução.

Na teologia, a maneira como se compreende o problema determina a natureza da solução. Por isso, a doutrina da salvação depende, em grande medida, da doutrina da criação, do pecado e dos efeitos da queda. Visto que os católicos romanos medievais entendiam que o problema do homem consistia na perda do dom da graça santificante, naturalmente concebiam a salvação como a recuperação desse dom. Assim, no sistema católico-romano, a salvação consiste na reelevação do homem caído à ordem sobrenatural do ser.

Como isso é realizado? Por meio dos sacramentos da Igreja Católica Romana. Em outras palavras, a doutrina católico-romana da Igreja e dos sacramentos é a própria doutrina católico-romana da salvação. É por essa razão que me refiro a ela como o sistema eclesiástico-sacerdotal de salvação da Igreja Católica Romana (ecclesio-sacerdotal), em que ecclesio se refere à Igreja, e sacerdotal, aos sacramentos.

No sistema católico-romano, o batismo é o sacramento que eleva um filho de Adão à ordem sobrenatural do ser, da qual Adão caiu. Ele une essa pessoa a Deus e a purifica de todo pecado. Por meio do batismo, o dom da graça santificante é infundido na alma, e o batizado é tornado justo. Essa graça santificante também é conhecida como graça justificadora. É por isso que o batismo é compreendido como o meio instrumental da justificação no sistema soteriológico católico-romano.

Após o batismo, o novo crente recebe o sacramento da confirmação, que aumenta e fortalece sua graça santificante. O fiel também aumenta e fortalece essa graça santificante por meio da participação no sacramento da Eucaristia. Enquanto permanecer nesse estado elevado de santificação, ou justificação, poderá praticar as boas obras necessárias para merecer a salvação final. E, desde que morra nesse estado de graça, o pior que lhe poderá acontecer é passar algum tempo no purgatório antes de entrar no céu.

Entretanto, se um crente comete um pecado mortal (isto é, um pecado considerado uma ofensa grave), ele cai do estado de graça. Se alguém morre fora desse estado, não vai para o purgatório, mas para o inferno. Portanto, é necessário ser restaurado ao estado elevado de graça para que haja qualquer esperança de salvação.

Seria preciso ser batizado novamente? Não. O batismo só pode ser recebido uma única vez. Estaria, então, o pecador sem qualquer esperança? Também não, pois a Igreja Católica Romana dispõe de outro sacramento para esse propósito. O pecador que caiu do estado de graça deve dirigir-se à Igreja e receber o sacramento da penitência. Por meio desse sacramento, ele é novamente elevado ao estado de justificação, no qual pode realizar as obras necessárias para merecer a salvação escatológica.

Na época da Reforma, esse sistema eclesiástico-sacerdotal de salvação dominava a Igreja do Ocidente. Os cristãos eram obrigados a viver em constante incerteza espiritual, jamais podendo ter plena segurança de que se encontravam no estado de graça. E, visto que somente quem morresse nesse estado poderia entrar no céu, o peso imposto à vida espiritual das pessoas era imenso. No próximo artigo, veremos a grande descoberta dos Reformadores, que lhes permitiu anunciar novamente as verdadeiras boas-novas ao povo da Europa.

Sobre Keith A. Mathison

Dr. Keith A. Mathison é professor de teologia sistemática no Reformation Bible College. Ele obteve seu M.A. no Reformed Theological Seminary em Orlando, Flórida, e seu Ph.D. no Whitefield Theological Seminary. É autor de vários livros, incluindo From Age to Age: The Unfolding of Biblical Eschatology e Given for You: Reclaiming Calvin’s Doctrine of the Lord’s Supper. Serviu como editor associado da Reformation Study Bible e anteriormente como editor associado da revista Tabletalk.

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